Em Londres Randolfe denuncia: tragédia de Mariana pode se repetir no Amapá

O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) palestrou por duas horas no King’s College, universidade conceituada no Reino Unido a convite da direção da instituição, no Brazil Week, evento que discute meio ambiente, questões sociais e econômicas. Único político brasileiro convidado para o evento, Randolfe defendeu os interesses do Amapá.
Relatou os graves problemas políticos do Brasil e usou grande parte do tempo para denunciar o que ele chamou de “os deletérios efeitos da exploração mineral por empresas não responsáveis”, fazendo clara referência à Indústria e Comércio de Mineração Ltda. – ICOMI, que explorou minério por mais de cinquenta anos no município de Serra do Navio, no Amapá.
Randolfe contou a história da ICOMI e os efeitos devastadores que a mineradora deixou. “Importante salientar que a reserva ferrífera era estimada em 250 milhões de toneladas, o que garantiria uma vida útil de 15 anos à mina. Mas, infelizmente, hoje em dia, nem uma grama de minério é lavrada no Amapá.” – relatou. Em tom de denúncia, Randolfe continuou dando detalhes de operação da empresa MMX, do EIke Batista, até a chegada de outras coligadas. Em 2008, a Anglo American, empresa Sul-africana, com sede em Londres, adquiriu da MMX as operações do Amapá em conjunto com uma operação que envolveu a soma de R$5,5 bilhões de dólares.

ANGLO

A Anglo American atuou entre 2009 e 2013, tendo sido o período mais produtivo da história da extração de ferro no Amapá, com mais de 18 milhões de toneladas exportadas e receitas superiores a 1,5 bilhões de dólares, chegando a ser responsável por mais de 90% da pauta de exportações do Estado. Mas, segundo Randolfe, o ar do aparente êxito na atividade, em meados de 2012 a Anglo American informou que não mais prosseguiria com as operações no Amapá, anunciando o interesse em vender seus ativos no Estado sem maiores explicações.
Em março de 2013, oito meses antes da transferência de ativos para uma pequena empresa, a Zamin, o porto flutuante utilizado para o escoamento de minérios desabou, num incidente que ocasionou a morte de seis operários e cujas causas ainda estão sendo investigadas, mas com fortes indícios de ter sido originado por falhas na operação do porto.
Apesar do acidente e de todas as consequências, a operação de transferência de ativos foi realizada, o que leva a suspeitas, suscitadas por importantes atores que acompanham este caso, de que a Zamin nunca tenha pretendido explorar o minério de ferro, mas sim “aceitará assumir o desonroso papel de desmobilizar a atividade de mineração, da pior forma possível, causando grandes prejuízos ao Estado e ao povo amapaense” denunciou.

PREJUÍZOS

Apenas um ano após ter adquirido os direitos de exploração e exportação de minério de ferro das jazidas do Amapá, a Zamin colocou fim a todas atividades, deixando inclusive o pagamento de fornecedores e recolhimento dos tributos e direitos dos trabalhadores.
Atualmente, estima-se que a soma das dívidas no mercado da Zamin aproxime-se da cifra de R$ 1 bilhão, relegando à uma situação pré-falimentar mais de trinta fornecedores de pequeno e médio portes. Além de fornecedores, a empresa deixou de recolher tributos e suas dívidas trabalhistas também alcançam somas elevadíssimas.
As suspeitas do Ministério Público amapaense levam à convicção de que a transição da Anglo American para a Zamin fora fraudulenta, tendo causado danos gigantescos à economia, ao meio ambiente e ao povo do Amapá “Dessa forma, ainda, acuso aqui a Anglo American de ser responsável pelos seguintes crimes cometidos no coração da floresta amazônica:
a. A morte de 6 trabalhadores amapaenses e o não pagamento de indenização a seus familiares;
B. Graves danos e riscos ao meio ambiente – além dos danos e riscos próprios da atividade de mineração em si, nos causa extrema preocupação a possibilidade de um acidente causado por rompimento ou transbordamento de uma barragem de resíduos deixada pela Zamin, em razão da ausência de manutenção nos últimos três anos.
Neste ponto, impossível não recordar o maior desastre ambiental já ocorrido no Brasil, o rompimento da barragem operada pela empresa SAMARCO, em Mariana, no Estado de Minas Gerais. Foram dezenas de mortos e prejuízos ambientais incalculáveis, causados por negligência da mineradora que operava naquele local.

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