Cenário em Rondônia é de medo.

“Uma combinação explosiva de ausência do Incra, por meio de políticas de regularização fundiária, e a ausência do Estado na garantia de proteção aos assentados”. Essa é a definição do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) para a situação dos agricultores que vivem na região onde o chefe do Movimento Camponês Corumbiara, Adelino Ramos, o Dinho, foi assassinado no dia 27 de maio.

O senador esteve em Rondônia nesta segunda-feira (06) para um encontro, na localidade de Extrema, entre a Comissão Externa do Senado para investigar mortes no campo, lideranças da região, assentados, trabalhadores rurais e autoridades locais. Depois da reunião a comitiva visitou ainda o assentamento Curuquetê, em Lábrea – AM, local onde Dinho morava.

A Comissão é composta por Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Pedro Taques (PDT-MT), Vanessa Graziotin (PC do B- AM) e Valdir Raupp (PMDB-RO). Uma das preocupações desse Grupo agora é garantir proteção à mulher de Dinho, que estava com ele no momento da morte do companheiro.

“Todos estão assustados e muitos não querem falar sobre o assunto temendo represálias. O Dinho era uma liderança extrativista que lutava contra a extração ilegal de madeira e isso desagradava os fazendeiros da região. Ele foi assassinado no meio da rua. O assassino atirou, na presença de outras pessoas, saiu correndo e ninguém quer testemunhar”, conta Randolfe.

Segundo ele, existem atas de reuniões que registram declarações de Dinho sobre as ameaças de morte que ele recebia freqüentemente. Os parlamentares irão solicitar uma cópia do inquérito, que deve ser concluído ainda esta semana. A próxima visita da Comissão deverá ser ao estado do Pará, onde foi assassinado, dia 24 de maio, o casal de extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo. Eles também foram mortos a tiros em uma estrada na região de Nova Ipixuna. No mesmo local, quatro dias depois, foi encontrado o corpo do agricultor Eremilton Pereira dos Santos.

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