Para Randolfe legado de Itamar Franco é a ética na política

Ao receber a informação da morte do ex-presidente e senador da República, Itamar Franco (PPS/MG), no início da tarde de sábado, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP) cancelou sua agenda em Macapá e tentou seguir para Minas Gerais, onde acompanharia os funerais do senador, porém foi impedido por um forte nevoeiro que atrasou os voos em Macapá. Mesmo assim, Randolfe lamentou a morte de Itamar.

“Uma tarde de muita tristeza para todos nós do Senado e para o povo brasileiro. O Brasil perde um grande brasileiro”, disse Randolfe à Rádio Senado logo que soube do falecimento. O senador Itamar Franco foi um dos primeiros contatos de Randolfe logo que assumiu o mandato há cinco meses. “Reportei-me a ele como presidente e obtive como resposta: presidente não, me chame de Itamar. Aqui somos amigos, colegas e não há nenhuma distinção entre nós”, relata Randolfe, que a partir daí desenvolveu relacionamento fraterno muito próximo com o mineiro. “Itamar tinha um espírito formidável, tinha uma capacidade de diálogo com todos nós e era dotado de uma humildade única, o que fazia dele a principal liderança da oposição”, considera o senador do PSOL.

Randolfe Rodrigues participou das mobilizações pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 1992, e era da direção da UNE quando Itamar Franco assumiu a presidência da República em decorrência das mobilizações. “Foi com muito orgulho e felicidade que encontrei o presidente Itamar no Senado Federal tão logo tomei posse”, conta Randolfe. Lembrando também que uma das primeiras atitudes de Itamar como presidente foi receber em audiência a diretoria da UNE. “Isso demonstra a sintonia que ele tinha com o que estava acontecendo com o Brasil e com os principais protagonistas daquele momento da política, que era o movimento estudantil”, considera Randolfe. O senador do PSOL afirma que principal mensagem deixada por Itamar Franco é a ética na política. “Na história de

Itamar você não encontra nem como calúnia alguma denúncia de desvio ético ou desvio moral. Pode até ter divergência ideológica com ele, mas não encontrará desvio ético, seja na oposição do MDB nos anos 70 e começo dos anos 80, seja como senador da República no final dos anos 80 e como senador constituinte, seja como vice-presidente da República, como presidente ou como governador de Minas e como senador da República novamente. Esse é seu principal legado”, finaliza Randolfe.

Itamar Franco morreu aos 81 anos, de acidente vascular cerebral de corrente de internação por leucemia, neste sábado (02), na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

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