Randolfe pisa o Pano da Vida e adere ao Poesia na Boca da Noite

Toda sexta-feira em Macapá a poesia se instala ao entardecer. É o Movimento Poesia na Boca da Noite, criado dia 13 de janeiro deste ano e que já percorreu inúmeras praças, hospitais e calçadas. “Queremos libertar a poesia das gavetas”, diz Alcinea Cavalcante, poeta e jornalista que idealizou o movimento. Na última sexta-feira (09), o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) estreou no Boca da Noite declamando Pablo Neruda.

O movimento começou com quatro pessoas na calçada da casa de Alcinea. Um sonho antigo que abriu o portão meio tímido e ganhou a rua. Com ela os poetas Osvaldo Simões, Rostan Martins e Glória Araújo formaram a primeira roda na charmosa avenida Almirante Barroso, Centro da capital amapaense. Na semana seguinte os poetas já eram 11 e desceram em direção ao rio Amazonas até a orla do bairro Santa Inês.

Não há nenhuma formalidade, nem reuniões de organização ou alguém que assuma o burocrático papel de coordenador. É mesmo um movimento livre, que tem como regras apenas o dia da semana, às sextas e o horário de ocorrência, de 17 às 19 horas. O local é divulgado durante a semana no www.alcinea.com, blog da jornalista, um dos mais lidos do Amapá. Hoje cerca de 40 pessoas frequentam os encontros semanalmente.

Essa informalidade aproxima as pessoas, inibe a timidez e estimula que aquelas poesias escondidinhas no fundo das gavetas sejam reveladas. Nesses seis meses surgiram muitos e jovens poetas”, conta Alcinea. Os encontros não atendem a nenhum roteiro, quem chega declama um poema de próprio punho ou de um poeta que aqueça seu coração. Por lá passam Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Mário Quintana, Alcir Araújo e tantos. É só subir no Pano da Vida e declamar.

Ah! Eis mais um item lúdico que dá colorido ao movimento. O pano da vida, idéia das professoras Fernanda, Mara e Deusa, é uma espécie de tapete costurado coletivamente, com vários tecidos coloridos. Estendido no chão, recebe os poetas com acolhimento, se configurando em um palco sem elevação, rente ao chão, onde todos estão na mesma altura, na mesma envergadura.

Foi lá que Randolfe, após tirar os sapatos, declamou Neruda e se comprometeu com os poetas a promover o Poesia na Boca da Noite em Brasília, em poucos meses.

Tudo isso tem um porque sublime. Mário Quintana diz que um bom poema comunica-se com Deus, “A gente faz o movimento para ajudar a construir um mundo melhor. Quem está participando não está pensando em fazer coisa ruim. Quem dera mais jovens e crianças viessem para o movimento, teríamos ainda mais cidadãos de bem no mundo”, argumenta Alcinea.

A jornalista esteve no Senado, a convite de Randolfe, e encantou o poeta Thiago de Mello, que manifestou desejo de vir ao Amapá participar do Boca da Noite. E nesse movimento de mútuos apaixonamentos, a poesia cresce.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *