Senador Randolfe diz em Calçoene que a BR-156 é um sonho geracional

O esforço brasileiro em estabelecer relações mais próximas com a França, através da fronteira norte, também passa pela conclusão da pavimentação da BR-156. Na última sexta-feira (22), o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) participou da cerimonia de retomada das obras da rodovia pelo governo do Amapá em parceria com o governo federal. O governador Camilo Capiberibe (PSB-AP) e o secretário de transportes do estado, Sérgio La-Rocque, efetivaram o reinício da pavimentação acionando simbolicamente um trator.

Na ocasião, o senador Randolfe relatou historicamente a importância da BR-156 para o Amapá. Segundo ele, a estrada que corta o estado de norte a sul é um “sonho geracional”. Registrou também o papel de duas lideranças políticas “fundamentais”, que “visualizaram a vocação do desenvolvimento no sentido norte”, os ex-governadores Janary Gentil Nunes e João Alberto Rodrigues Capiberibe. Janary governou o então Território Federal do Amapá de janeiro de 1944 a fevereiro de 1956. Capiberibe governou o Estado do Amapá de janeiro de 1995 a abril de 2002.

Randolfe explicou que em meados dos anos 40 do século XX, o então governador Janary “vislumbrou esse caminho de integração e apostou na construção da BR-156, mesmo sem autorização oficial do governo brasileiro”. Por sua vez, João Capiberibe foi o governador que deu partida ao processo de cooperação com a França, estimulando conversações bilaterais e antecipando a preparação do Amapá para esse futuro. Nesse sentido, instalou mecanismos de aproximação cultural como o Centro de Língua e Cultura Francesa Danielle Miterrand.

No início de seu mandato como senador, Randolfe convidou para vir ao Amapá o embaixador da Venezuela, Maximilien Arvelaiz, dando início a uma série de contatos com países do Platô das Guianas, visando acelerar a construção do arco norte de desenvolvimento. No próximo dia 8 de setembro, cinco senadores franceses virão ao Amapá a convite de Randolfe para conhecer de perto e debater as questões diplomáticas que dificultam as relações na fronteira com a Guiana Francesa.

“Esse sonho geracional começou com os amapaenses que lutaram no século XIX para sermos brasileiros”, lembrou o senador fazendo referência à “Questão do Amapá”, também conhecida como “Contestado franco-brasileiro”, quando os dois países disputaram os limites da fronteira definidos pelo Tratado de Utrecht, assinado em 1713. A descoberta do ouro na região do Amapá motivou as invasões francesas para além do rio Oiapoque, repelidas com heroísmo pelos brasileiros. A questão foi decidida favoravelmente ao Brasil em 1900.