The President Surrenders – Artigo do economista Paul Krugman

Leia a tradução do editorial do economista Paul Krugman no Jornal New York Times deste domingo (31), sobre a crise econômica nos EUA. O texto foi a base do pronunciamento do  Senador Randolfe Rodrigues no plenário do Senado nesta segunda-feira (01).

Do The New York Times  “The President Surrenders” – Paul Krugman: O acordo em si, dada a informação disponível, é um desastre não apenas para o Presidente Obama e seu partido. Ele ainda agravará uma economia ainda em depressão; e provavelmente, ao invés de melhorar, tornará ainda pior o problema do déficit no longo prazo; e, mas importante ainda: levará a América ladeira abaixo, pela via do status de uma republica das bananas, dada a brutal extorsão da força de trabalho e os custos políticos não levados em consideração.

Comecemos com os aspectos econômicos. Nós temos atualmente uma economia profundamente deprimida e é quase certo que continue assim por todo o ano de 2012 e, provavelmente, ainda em 2013, senão mesmo além.

A pior coisa a ser feita nestas circunstâncias é cortar os gastos governamentais, dado que isto irá deprimir a economia ainda mais. Não dar atenção àqueles que invocam o conto da certeza, proclamando que uma dura ação sobre o orçamento irá tranqüilizar os negócios e os consumidores, levando-os a gastar mais. Isto não funciona deste modo, fato confirmado por vários estudos de uma série histórica.

Ao contrário, reduzir os gastos enquanto a economia se encontra deprimida, não apenas não ajudará a melhorar a situação orçamentária, como ainda poderá torná-la pior. Por um lado, as taxas de juros dos empréstimos federais estão atualmente muito baixas, assim, os cortes de gastos agora farão muito pouco para reduzir as taxas de lucro futuras. De outro lado, tornando a economia mais fraca agora, irá afetar também seu cenário futuro, que por seu turno irá reduzir a receita orçamentária. Então, aqueles que hoje demandam cortes, agora são como médicos medievais que tratam a doença pelo sangramento do paciente, tornando-o ainda mais doente.

E então vamos aos informados termos do acordo, o qual significa uma abjeta derrota por parte do presidente. Primeiro, haverá um grande corte de gastos, com o não crescimento da receita. Então o painel (Comissão Orçamento do Congresso) irá fazer ainda mais recomendações para a redução de gastos, e se estas não forem aceitas, haverá ainda mais cortes.

Os Republicanos irão supostamente ter um incentive para fazer concessões num futuro próximo, na medida em que os cortes irão incluir as áreas de Defesa. Mas o Partido Republicano apenas tem demonstrado sua boa vontade quanto ao risco de colapso financeiro, exceto que isto vá ao encontro do desejo do ser seus membros mais extremados.  Por que esperar que isto seja mais razoável na próxima etapa?

De fato, os Republicanos certamente irão envolver de algum modo o Senhor Obama, mantendo-o dobrado face as suas ameaças. Ele capitulou em dezembro último, ao estender todas as taxas de corte de Bush, ele capitulou na primavera quando eles ameaçaram paralisar o governo; e ele capitulou em grande escala face à brutal chantagem sobre o teto de endividamento. Talvez seja apenas uma percepção minha, mas vejo nisto um padrão.

Tem o presidente uma outra alternativa neste momento? Sim.

Primeiro que tudo, ele poderia e deveria ter solicitado um aumento no teto do endividamento em Dezembro passado. Quando perguntado por que não o fez, respondeu que estava certo de que os Republicanos agiriam responsavelmente. Grande apelo.

E mesmo agora, o Governo Obama poderia ter recorrido a um dispositivo estratégico constitucional para contornar o teto do endividamento, utilizando uma das várias opções. Em circunstâncias normais, isto poderia ser considerando um passo extremo. Mas, face à realidade do que está acontecendo, notadamente pela bruta chantagem da parte de um partido que, tudo considerado, controla unicamente uma casa do Congresso, isto teria sido totalmente justificável.

E mais recentemente, o Sr. Obama poderia ter usado a possibilidade de fim legal para fortalecer sua posição. Ao invés disto, todavia, ele excluiu todas estas opções desde o início.

Mas poderia esta dura atitude ter incomodado os mercados?. Provavelmente não. De fato, se eu fosse um investidor eu estaria tranqüilo, e não alarmado, pela demonstração de que o presidente está desejoso e apto para enfrentar a chantagem das alas extremistas. Ao invés disto, ele preferiu demonstrar o oposto.

Sem sombra de dúvida, o que estamos testemunhando aqui é a catástrofe em múltiplos níveis.

É, certamente, uma catástrofe política para os Democratas, que há apenas poucas semanas atrás pareciam ter vencido os Republicanos nos seus planos de desmantelar a Saúde. Agora, o Sr. Obama põe tudo fora. E os danos não param por aí. Há ainda mais pontos atritos onde os Republicanos podem ameaçar criar uma crise, a menos que o presidente capitule, e eles agora podem agir, na certeza de que suas pretensões serão vitoriosas.

À longo prazo, entretanto, os Democratas não serão os único perdedores. O que os Republicanos justamente pretendem é por em questão nosso sistema de governo com um todo. Acima de tudo, como pode a democracia Americana funcionar se qualquer partido está mais preparado para ser impiedoso, ameaçar a segurança econômica da nação para ditar a política. E a resposta é: provavelmente não.

 

 

 

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