Vamos falar de saúde mental

O mês de janeiro é considerado o mês da saúde mental, marcado pela campanha Janeiro Branco. Escolhido propositalmente por ser um período reflexivo do ser humano, com o início de um novo ciclo, ele se propõe convidar pessoas a pensarem sobre suas vidas, o sentido e o propósito delas, a qualidade dos seus relacionamentos e o quanto elas conhecem sobre si mesmas, suas emoções, seus pensamentos e comportamentos.

Faz se nescessário abordarmos o tema saúde mental, de grande ocorrência no Brasil e no mundo, para prevenir aquilo que é recorrente em quase todos os lares e famílias: o adoecimento emocional. É preciso expor, sensibilizar as mídias, as instituições, públicas e privadas, os poderes constituídos e chamar atenção para a importância de criarmos ações e projetos estratégicos, políticas públicas, destinação de recursos financeiros e iniciativas socioculturais para atender as demandas individuais e coletivas , direta ou indiretamente, relacionadas a esse universo.

A abrangência do problema é imensa, envolve atenção a pessoas com necessidades relacionadas a depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo etc, e pessoas com quadro de uso nocivo e dependência de substâncias psicoativas, como álcool, cocaína, crack e muitas outras drogas.

No mundo, a ansiedade, por exemplo, atinge mais de 260 milhões de pessoas. O Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas: 9,3% da população, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. É assustador sabermos que 86% dos brasileiros sofrem com algum transtorno mental, como ansiedade e depressão.

Em caso fatais, o Brasil ocupa a oitava posição no mundo em número de suicídios, atrás de Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Paquistão segundo dados da OMS. Cerca de 800 mil pessoas acabam com suas vidas todos os anos no mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos.

No Brasil o índice, embora em queda no mundo, cresceu 7% se compararmos a pesquisa de 2010. Em 2016, a OMS contabilizou 6,1 suicídios a cada 100 mil habitantes. Já em 2010, foram registrados 5,7 suicídios a cada 100 mil habitantes no país. A incidência é muito maior entre os homens. Foram 2,8 a cada 100 mil entre as mulheres e 9,7 a cada 100 mil entre os homens em 2016 contra 2,8 a cada 100 mil entre as mulheres e 9 a cada 100 mil entre os homens em 2010.

Em junho de 2019, o Escritório das Nações Unidas lançou um relatório que aponta 87 dados sobre o consumo de substâncias no mundo. De acordo com a pesquisa, de 2017, 271 milhões de pessoas usaram drogas no ano anterior, em 2016. É o equivalente a 5,5% da população mundial entre 15 e 64 anos. Isso representa um aumento de 30% com relação ao número de usuários de drogas em 2009.

Segundo a Fiocruz, que lançou ano passado um estudo que foi questionado pelo governo Bolsonaro pela discordância do Ministério da Saúde no número de usuários de Crack, pela primeira vez teve dimensão nacional, revelando que 3,563 milhões de brasileiros consumiram drogas ilícitas em período recente no país. Portanto fechar os olhos a um problema com está dimensão seria uma omissão descabida.

A OPAS num relatório lançado em março de 2019, expôs que os problemas de saúde mental, incluindo o uso de substâncias psicoativas, respondem por mais de um terço da incapacidade total na Região. Desse percentual, os transtornos depressivos estão entre as maiores causas de incapacidade, seguidos pelos transtornos de ansiedade.

Apesar disso, o investimento destinado à saúde mental representa, em média, apenas 2% do orçamento de saúde do país e, dessa porcentagem, cerca de 60% se destina a hospitais psiquiátricos.

Afirma ainda o relatório da instituição, “A carga dos transtornos mentais na Região das Américas, 2018”, que é necessário aumentar muito o financiamento dos países. Os déficits de financiamento em saúde mental variam de três vezes os gastos atuais em países de alta renda a 435 vezes os gastos nos países de mais baixa renda da Região.

Como afirmou Claudina Cayetano, assessora regional da OPAS em Saúde Mental, “Os países de baixa renda, em particular, agravam sua carência de recursos ao alocarem escassos fundos em hospitais psiquiátricos. Isso significa que as pessoas com os problemas de saúde mental mais comuns, como depressão, ansiedade e outros transtornos que podem ser eficientemente atendidos na comunidade, fiquem sem atendimento”. É necessário invertermos essa lógica, pois investir em hospitais psiquiátricos contraria as próprias determinações da OPAS/OMS que propõe a prestação de serviços integrados para transtornos mentais na atenção primária ou em hospitais gerais, acompanhado de apoio social. Essas medidas, além de serem mais custo-efetivas, fazem as pessoas afetadas por transtornos mentais serem mais propensas a procurar tratamento.

Pelo exposto neste artigo, vamos dedicar atenção especial ao tema em 2020. Criar proposisões e projetos para cobrir essa lacuna no sistema de saúde pública e privada do país, ambos muita aquém de atender as necessidades da população brasileira. Propor correções na política nacional de saúde mental, para permitimos que brasileiros possam ter equilíbrio emocional entre o patrimônio interno e as exigências ou vivências externas. De administrar a própria vida e as suas emoções, sendo capaz de ser sujeito de suas próprias ações sem perder a noção de tempo e espaço, buscando viver a vida na sua plenitude máxima, respeitando o legal e o outro.

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